segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Bete é mulher.

Bete é mulher. Bete trabalha em um cabaré.

Bete tem longas madeixas negras e cacheadas que escorrem por suas costas nuas. Tem lábios carnudos realçados por um batom de cor vermelha forte. Suas curvas tortuosas foram moldadas pelas mãos erradas do mais vagabundo dos anjos.

Bete acende seu cigarro. Um carro aproxima-se da porta da zona. Bete caminha até o carro com um rebolado desconcertante e inclina-se sobre a janela do veículo. Seus seios volumosos ficam amassados, saltando de seu decote deliciosamente exagerado. O cliente acena. Ela entra no carro. O encontro é breve. Sem conversas, Bete apenas dá um longo beijo “apaixonado”... no meio das pernas do homem. Dura apenas poucos minutos. Bete recebe o pagamento, despede-se e sai do carro para retornar para a porta do cabaré.

Bete acende outro cigarro. Pensamentos vagueiam sua mente. Ela se lembra de suas histórias, de seus amores. Lembra que um dia foi garota e que também já foi desejada. Desejada de uma maneira diferente da que seus clientes a desejavam. Desejada com amor. Ela pensa nos votos de paixão e sinceridade que já trocou com antigos amores. Bete sente a inocência daqueles momentos. Sente que já foi amada e que se sentia protegida. Um frio passageiro na barriga a desnorteia por milésimos de segundos que mais parecem uma eternidade.

Uma luz alta atinge a visão dela. Outro carro se aproxima. Ela joga o cigarro no chão e o apaga com a ponta de seu salto agulha. Bete verifica a maquiagem no espelho que carrega em sua bolsa, retoca seu batom, ajeita sua saia vermelha e aproxima-se do carro.

Bete é mulher. Bete trabalha em um cabaré.

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

Apenas atualizando o blog!

Bem, a preguiça reinou ultimamente para escrever (desde maio sem escrever nada!). Perdi alguns textos que havia escrito no PC. Mas estou tentando escrever alguns rascunhos, espero posta algo por aqui em breve.

Att,

Dúvidas?

sábado, 8 de maio de 2010

"No place like soul" (2007) SOULIVE



O Soulive é um trio nova iorquino, da cidade de Buffalo, composto por Eric Krasno e os irmãos Alan Evans e Neal Evans. É uma banda de Funk/Jazz, famosa por seus solos e pela pegada de suas canções, que iniciou as atividades em 1999, com o lançamento do EP “Get Down!”. O álbum em questão na postagem é o “No Place Like Soul”, lançado em 2007. Diferente dos álbuns anteriores do Soulive, o “No Place Like Soul” se afastou um pouco da linhagem das bandas de Funk/Jazz e se aproximou de gêneros como Soul, Reggae e Pop. Támbem no álbum há a participação do vocalista solo, Toussaint Yeshua, que acrescenta ao trio uma sonoridade mais soul e pop (o vocal lembra um pouco do cantor Lenny Kravitz, argumento que não deve desestimular os críticos desse último cantor de escutar o álbum do Soulive).

1. "Waterfall" – 3:59
2. "Don't Tell Me" – 3:53
3. "Mary" – 4:22
4. "Comfort" – 4:01
5. "Callin'" – 4:08
6. "Outrage" – 3:48
7. "Morning Light" – 3:42
8. "Never Know" – 4:20
9. "Yeah Yeah" – 4:24
10. "If This World Were a Song" – 4:19
11. "One of Those Days" – 4:05
12. "Bubble" – 4:12
13. "Kim" – 4:47
*obs.: Duas faixas extras ao vivo:
14. "Steppin" – 12:14
15. "Azucar" – 11:09

“Waterfall” (primeira faixa) já fornece uma idéia da levada do disco. Vale sugerir também as faixas “Don’t Tell Me” (segunda faixa) e “Never Know” (oitava faixa, essa mais melosa) como uma primeira visita agradável e rápida as canções do grupo, embora o álbum seja digno de ser escutado do início ao fim. Enfim camaradas, um bom disco pra se escutar!

quinta-feira, 29 de abril de 2010

Nossa última carta

Querida, me perdoe pela minha apatia. Apenas posso compartilhar a verdade do que ocorreu. Perdoe-me se não pude dançar a última canção abraçado com você. Preferi que fosse assim. Cada um no seu canto. Sem experimentar "outras" sensações desagradáveis. Sensações que eu nunca entendi. Você falava coisas que pra mim não faziam sentido, nem tão pouco eram importantes naquela hora. O fim já tinha se anunciado havia meses. Eu sabia disso, pois ele já estava gritando conosco, você quem não quis escutá-lo. Sintonia dissonante. Suas palavras ressoavam um desafinado fim, um ‘desafino’ daqueles, capaz de estragar qualquer fim de ópera. Não querida, você não foi importante pra mim a ponto de ser comparada a uma orquestra, até porque você nunca gostou disso. Você balbuciava algo. Sua fala era tão medrosa como a de uma criança implorando para que não fosse castigada. Seus olhos estavam cheios de lágrimas e seu rosto estava borrado pela maquiagem em meio ao choro. Eu permanecia quieto. Silente. Sem expressar um sentimento qualquer. Nem fúria, nem tristeza, nem felicidade. Nada. Já não sentia nada mesmo. Apenas o silêncio era o que eu tinha. Você tentou me beijar. Seus lábios estavam molhados de choro. Senti apenas os movimentos mecânicos de sua boca. Nenhuma reação eu tive, nenhum frio na barriga, nenhuma surpresa ou expectativa como se tem ao beijar alguém que se deseja muito pela primeira vez. Não era a nossa primeira vez. Também já não desejava teus lábios nos meus como antes. Não desejava. Meu compasso já não estava mais no mesmo do seu. Era hora de trocar a música.....eu dei as costas e parti.

sexta-feira, 9 de abril de 2010



THE DIPLOMATS OF SOLID SOUND FEATURING THE DIPLOMETTES

....uma boa dose de funk, soul, jazz e muito suingue na voz de um trio feminino bem afinado!

Vale destacar as faixas:

"Plenty Nasty", primeira faixa do disco, música instrumental, que faz te sentir em cenas de filmes como "Onze homens e um segredo" e outros do gênero.

"Hurt me So", faixa marcada por uma letra nostálgica que remete a relacionamentos dolorosos, sem perder a mão no suingue...!!

"Lights Out", pra mim a melhor faixa do disco!

quarta-feira, 24 de março de 2010

Encontro descabido de universos distantes

Pensando as pessoas como universos particulares, compostos por sua complexidade humana (medos, manias, limites transitórios, pensamentos), estes astros estão em constante movimento possibilitando raros encontros de universos que até então não poderiam ser imaginados em um encontro.

Cara a cara, o envolvimento pode ser diferente. Algumas características diferentes entre eles podem fazer com que a “gravidade” deixe-os mais próximos. Um pensamento leva uma ação aqui, um impulso uma reação dali e nessa toada os universos se envolvem com certa intimidade, que pode até soar como a de velhos conhecidos.

Apesar de todo esse emaranhado aprazível, não se engane! Essa dança agradável tem validade, tal como um produto em promoção na prateleira de supermercado. Isso costuma durar, mais ou menos, até o momento em que a agradável sensação de conforto é surpreendida por “aquela” conversa diferente. Esse novo personagem surge sem maiores intenções, sem malícias e sem medir o peso de suas conseqüências, que na maioria das vezes é desastrosa. É um tipo de assunto bandido: ele transgride e estupra certos limites impostos por convenções sociais. Aquele limite que fala assim: "Não passe daí!, não fale disso!, não me chame assim!, blah blah blah!", merda de limite. Porque será que alguns não conseguem lidar... tá bom...eu não sei lidar, mas com certeza não é por medo de assumir um risco.

Sempre tive a impressão de que a sinceridade em alguns momentos possa vir a ser útil, principalmente quando se tem aquela sensação de ter de dizer algo, sem saber o que falar...sabe? Típico daqueles instantes em que as duas pessoas ficam atônitas por alguma situação constrangedora. Uma vez que a “conversinha” foi lançada, não tem como voltar atrás...a não ser que você seja um Ás do “Troféuzinho João sem Braço” das desculpas! Nesse tipo de situação eu contaria nos dedos algumas pessoas que conseguiriam sair dessa situação com alguma mentirinha bem sem vergonha...grupo de pessoas no qual, eu não me incluiria definitivamente! Não que eu seja totalmente tapado, mas a improvisação nesses casos não é bem o meu forte.

Enfim...a partir daí o caos passa a interferir com liberdade na trilha dos astros. O clima esfriou entre os dois. A realidade corta a euforia do momento que outrora acendia a atração entre os dois corpos. O bom senso e a racionalidade tomam o lugar da espontaneidade, fazendo com que os astros se afastem, a ponto de ficarem tão distantes quanto Plutão e Mercúrio. Deixando a “pieguice” da atração dos astros e falando direto ao ponto... como diria um amigo psicólogo: “ - A Gestalt não foi concluída!”. Em outras palavras: “Não foi dessa vez campeão!”, “ Quem sabe da próxima hein!”, “Você não vai transar hoje”.

Os astros, até então atraídos um pelo outro durante essa oportuna e randômica ocasião, vão voltando aos seus eixos de origem, tomando consciência de que na verdade o melhor a se fazer é encerrar a noite e cada um seguir seu caminho.

Bem...feita a “merda”, talvez o melhor seja esquecer o que aconteceu e deixar que os astros sigam adiante em suas trajetórias, de forma que cada um possa retomar o seu longo caminho pelo universo. Vai saber... alguns fenômenos podem se repetir daqui a milhões de anos luz. Quem sabe da próxima vez eu não fique mais calado! Por hora, ainda tenho a Esperanza (GOMEZ).

terça-feira, 9 de março de 2010

Fim sem anuncio

Habituados a lembretes, temos como esperado do nosso dia-a-dia
lances rotineiros, que não devem causar surpresas em nossas expectativas.
Tudo dentro do esquema. Movimentos ensaiados, automatizados, executados sem reflexão.

Bem...pelo menos com essas coisas são assim...não há de se culpar precisamos de ter um certo controle do que acontece (parte pelo menos) afim de evitar que o caos reine soberano em nossas vidas (as vezes uma dose de caos tambem não faz mal)

Agora...existem coisas mais sutis que não dá pra separar em partes programadas. Romances ligeiros. Sem ser piegas (esquivando um pouco pra disfarçar o lado brega) A nítida barreira do início, meio e fim não podem ser visualizadas...nesses casos elas são "invisíveis"...até porque naquele instante em que vivenciamos tal coisa estamos inebriados com o momento...pouco importa inicio meio e fim.....esse instante é eterno e pronto.

Bem..comigo aconteceu isso a pouco tempo...mas nesse caso não interessa o durante e sim o depois. Já teve a sensação de acordar no outro dia e saber que é o fim daquilo? Na verdade o fim já tinha acontecido...mas até você juntar as peças você só percebe depois (pelo menos pra pessoas passadas como eu). É um fim velado, sem despedidas, sem comentários...não é como os de filme...pra falar a verdade...nada acontece como os filmes...é mais rápido e você não tem as melhores palavras pra fechar o momento...parece mais uma batida da nuca, uma batida seca e rápida...não viu de onde veio, nem nada. No outro dia resta aquele nó na garganta...

As perguntas sobre o ocorrido borbulham na cabeça, cogitações do que foi, do que poderia ter sido. Ilusões que o cérebro fomenta desesperadamente pra reviver aquele resquício de experiência que agora está desanimada. Horas depois, após lutar com o fato concretizado e imutável, aceitamos a realidade...e por fim sepultamos a história. O fim tal como a morte, não é lamentável...é necessário para concluir aquele percurso. Só não entendo ainda, porque..apesar de ter entendido isso...ainda tenho o maldito nó na garganta!

Acho que vou arquivar isso nos pendentes...........ahh...como eu gosto de me iludir!